Pente Fino (05/02/2010) Rodrigo Finardi


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“Não existem desentendimentos no PMDB. Existem pontos de vista”
Na próxima segunda-feira, 8, o prefeito Paulo Alfredo Polis reassume o município de Erechim após gozar período de férias. A prefeita em exercício Ana Oliveira, volta ao posto de vice.
Durante este período que esteve frente ao município atendeu em seu gabinete. E o Jornal Boa Vista a procurou para uma entrevista.
Ana falou sobre política; administração; a sua menina dos olhos; os dissabores do poder; seu projeto político; a convivência com o PT; as vaidades internas; o papel da vice; as dificuldades do setor público; a relação do executivo com o legislativo; afirma que não existem desentendimentos com o PMDB do governo e o que está fora; entre outros assuntos.
O que me chama atenção é o perfil da vice-prefeita. Entre uma pergunta mais amena e outra mais espinhosa, nunca muda o tom da voz. Permanece inalterada. Mantém uma concentração muito acima da média. Nem sua fisionomia muda. Perguntada sobre algum destaque durante os dias que foi prefeita se saiu com uma resposta fantástica: “fui a prefeita do Grenal”. Nota-se que entre ela e o Polis a relação é extremamente leal e de respeito. Pena que não podemos usar desta máxima em outros setores do executivo.
O PMDB está maduro o suficiente para ali na frente chegar ao posto mais alto do Executivo?
Ana Oliveira: Sim. O PMDB tem uma história em nossa cidade e região. Uma caminhada histórica firme dentro da política local e em todos os pleitos. Temos um quadro de pessoas sérias que podem futuramente estar no posto mais alto.
Qual o projeto político para Ana Oliveira nos próximos anos?
Ana: Continuar construindo esta minha caminhada política dentro do executivo sempre em conjunto com meu partido. O que mais me deixa feliz é poder participar deste grupo que pensa a cidade e é comprometida. Eu quero continuar auxiliando meu partido e a própria cidade. E avançar nesta caminhada política e saber parar na hora certa.
Como é o convívio entre o PMDB e o PT com histórias tão distintas em Erechim?
Ana: Harmoniosa. Eu não vejo uma caminhada tão distinta assim. A história mostra que os partidos nunca estiveram coligados em Erechim, mas seus ideais são semelhantes. Por esta semelhança temos um entendimento muito grande. Nossa administração é partilhada e conjunta. Quando um sai (férias ou viagens) as coisas andam da mesa maneira. Existe um grande entendimento dentro do grupo.
E como é lidar com as vaidades internas num partido que está no poder?
Ana: Isso não é algo privativo do político e da vida pública. Quando estamos num cargo precisamos lidar com a geração de conflitos que é inevitável. Precisamos maturidade, vivência para conduzir os conflitos que por hora nos batam à porta.
Quando se fala em saúde pública, vem a mente o PMDB. Esta área é um ponto nevrálgico em qualquer administração. O desempenho na saúde está a contento?
Ana: O PMDB tem em seu DNA a saúde. Em sua história trilhou trabalhos relevantes na saúde do país. O Ministro da Saúde é do PMDB. Osmar Terra está por dois mandatos com dois governos distintos no Rio Grande do Sul no comando da pasta de saúde. O ex-prefeito Antonio Dexheimer implantou as principais mudanças na saúde de nosso município.
Na atual gestão implementamos várias mudanças. Principalmente o foco da saúde valorizando a prevenção. Para 2011 temos como meta alcançar 16 equipes do PSF (Programa de Saúde da Família). Por enquanto são onze equipes. Mudamos o atendimento na estrutura física tornando mais prática para o usuário com praticamente todos os serviços num único local. Otimizar através de ações a realização de consultas e exames. Investimos ma melhoria e adequação do FHST. Fomos contemplados com a UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Estamos trabalhando no NASF (Núcleo de Atenção a Saúde da Família) e o PIM (Primeira Infância Melhor).
Nosso objetivo é tratar a saúde e não a doença melhorando a qualidade de vida de cada cidadão erechinense. Mas temos a ciência que precisamos avançar em vários setores.
A centralização do poder é salutar ou nocivo a um partido?
Ana: É extremamente nociva. Por isso adotamos uma estratégia diferente, compartilhando as idéias com a executiva e o diretório. Temos reuniões semanais com a executiva e mensais com o diretório deixando todos a par das ações que estão sendo tomadas. Nossa sociedade é democrática e precisamos trabalhar assim em todos os segmentos. Respeito muito a instituição partidária.
Qual o papel da coordenadoria da mulher e de gestão de pessoas ligado ao seu gabinete?
Ana: A Coordenadoria da Mulher veio para formular políticas públicas municipais em prol da mulher. No dia 4 de março teremos aula inaugural para capacitação de pessoas que trabalharão na rede de proteção a mulher com participação de toda a sociedade civil. Veio para dar um norte na linha de apoio com políticas federais e estaduais num plano conjunto. E com isso teremos 100% de chances a mais de angariar recursos para esta área. Estamos no primeiro degrau até chegar no ponto alto que é implantação da rede de proteção da mulher...
E a Gestão de Pessoas?
Ana: A Gestão de Pessoas administra conflitos e veio para cuidar do nosso servidor. Para ouvir, para avaliar, para diagnosticar problemas e buscar soluções tornado o ambiente mais harmonioso. Juntamente com a secretaria de Administração, comandada por Gerson Berti, pretendemos unir o departamento de RH (Recursos Humanos) e gestão de pessoas. É um do trabalho de paciência, mas estamos deixando a nossa semente.
Qual a influência do vice em uma administração?
Ana: Acredito que a importância da vice está em dar suporte constante as ações do prefeito. Temos o mesmo objetivo comum. O bem de Erechim e das pessoas.
Qual a menina dos olhos do governo na tua opinião?
Ana: A minha menina dos olhos é a participação da sociedade no governo. Quanto mais envolvermos as pessoas nas decisões, mas isso me satisfaz como gestora pública. Dar oportunidades aos outros me faz cada vez mais feliz.
Tem algo para fazer que na sua ótica não foi possível no primeiro ano da gestão Polis e Ana?
Ana: Um ano é muito pouco para fazermos uma avaliação completa de uma proposta vencedora que é de quatro anos. Todos os setores estão se aperfeiçoando a cada dia. E gradativamente as mudanças vão surgindo e a população vai sentindo isso. Mas esbarramos na questão burocrática, na questão de recursos. Mas as oportunidades estão surgindo. Preocupa-me daqui para frente. O ano passado foi de aprendizado para todo mundo.
As secretarias comandadas pelo PMDB estão andando na mesma velocidade? Algum destaque em especial?
Ana: Todas as secretarias estão na velocidade do governo. Umas se destacam mais e outras talvez menos por serem secretarias meio. Algumas têm maior divulgação e outras papel estratégico.
Qual a maior dificuldade do setor público?
Ana: Sem dúvida a burocracia. A gente se depara com determinadas situações. Queremos executar e não depende apenas dos gestores. Juridicamente somos impedidos de realizar algumas coisas que gostaríamos. Precisamos seguir os ritos legais.
O desempenho da base aliada no legislativo dá tranqüilidade ao executivo?
Ana: Tivemos uma bancada extremamente fiel. Os vereadores de situação foram parceiros do governo. Estiveram sempre do nosso lado. Aprovamos mais de 200 projetos, com mudanças significativas. Só temos a agradecer a nossa bancada e aos demais vereadores. Todo o poder legislativo foi parceiro do executivo. E ainda procuraram enriquecer alguns projetos. Não temos queixa alguma.
A polarização das eleições estaduais entre PMDB e PT pode ter influência em Erechim?
Ana: Eu e o Polis estamos bastante tranquilos com relação a isso. Temos que orientar que administrar é uma coisa e as questões políticas são outras. A cidade de Erechim está acima de tudo.
A Senhora acredita que as ações do “Erechim 200” são exeqüíveis em sua totalidade?
Ana: No setor publico como o privado é necessário ter um planejamento estratégico. Nós montamos este planejamento e este é o nosso desafio e meta para os próximos três anos. Acredito na sua execução. Temos pessoas e equipes motivadas e organizadas com projetos. O Erechim 200 tem tudo para se tornar realidade.
É possível governar sem dissabores no dia a dia?
Ana: Não. Deparamos-nos com situações difíceis. Gostaríamos de dar alguns encaminhamentos que não são possíveis. Na totalidade é impossível termos 100 por cento. Pelo menos temos que conduzir estas ações de uma maneira transparente sem frustrar o cidadão.
Existem desentendimentos entre o PMDB que está no governo e o PMDB que está fora do governo?
Ana: Não. Existem pontos de vista. A medida que o tempo avança é possível ter o entendimento e a compreensão de todos. Mas temos que conviver com as diferenças. Isso é bom e salutar senão ocorre a acomodação. Cada um pensa de uma maneira. Mas é possível sempre buscar o entendimento.
Como lidar com a voracidade por cargos?
Ana: Eu e o Polis procuramos colocar nos cargos pessoas afins com conhecimento técnico na área que irá atuar. Hoje estamos com um grupo condizente com a função designada. Defendido dentro do PT, do PMDB e do PCdoB.
Na próxima segunda-feira, o prefeito Paulo Alfredo Polis retorna de suas férias e retoma seu assento. Algo para destacar nestes dias?
Ana: Fui a prefeita do Grenal (risos)...