Morando na “Capital Mundial da Literatura” 
Oscar Wilde
Dublin ganhou esta semana sua “Copa do Mundo”. O título, diferente daqueles que nós brasileiros adoramos celebrar, não veio com as bolas nos pés. Os “gols”, aliás, vêm sem marcados de forma ininterrupta século após século pelas gerações de escritores que se sucedem na encantadora e chuvosa cidade cortada pelo Rio Liffey. Ou seja, há mais do que um Romário ou Ronaldinho por aqui. Há, quem sabe, mais de duas dezenas deles – sem chuteiras, mas com um portentoso ‘canhão’ nas mãos, na cabeça e no coração.
A seqüência de gênios da “caneta” aqui nascidos fez com que Dublin se transformasse na última 2ª-feira, 26, através do reconhecimento oficial da Unesco, na mais nova “Capital Mundial da Literatura” (juntando-se a Edimburgo/Escócia, Melbourne/Austrália e Iowa City/ EUA).
Comemoração A notícia propiciou festa nas ruas e nos pubs – especialmente, claro, entre os intelectuais dublinenses, políticos de ocasião (ou não), e apaixonados pela leitura. Não foram poucos os participantes, portanto. Professores, inclusive, acabaram pagando generosas rodadas de Guinness para seus alunos em pubs onde os escribas do passado se reuniam para um “bate-papo”. Uma maravilha!
Escritores de Dublin A conquista referendada pela Unesco faz justiça a um povo que tem nas letras seu maior orgulho – embora a preferência seja ainda por “bebidas quentes, destiladas, geladas, cevadas, ...” (uma coisa não impede outra, pelo contrário).
Escritores em Dublin não são figuras remotas. O governo local faz questão de manter a tradição, homenageando periodicamente cada novo “Romário” que surge com a caneta nas mãos – um dos principais momentos é a atribuição do ‘Freedom of the City’ (George Bernard Shaw, Douglas Hyde e, mais recentemente, Thomas Kinsella receberam a honraria.).
Nada menos do que quatro prêmios Nobel da Literatura são atribuídos a escritores associados com a cidade: George Bernard Shaw, WB Yeats, Samuel Beckett e Seamus Heaney. Porém, mais uma conquista para a Capital estaria na “forma”, garante uma fonte ligada ao poder público. Vale citar, ainda, outros escritores ilustres oriundos da terra: Jonathan Swift, o Cardeal Newman, Oscar Wilde, Sean O'Casey, Denis Johnston, Flann O'Brien, Brendan Behan e Jennifer Johnston.
Ficando em “casa” A romancista Anne Enright, aliás, disparou uma pérola sobre o fenômeno criativo local: "Em outras cidades, pessoas inteligentes saem para ganhar dinheiro. Em Dublin, pessoas inteligentes vão para casa escrever seus livros". Concordo em partes. Porém, piamente, creio que muitos deles escrevem parte de suas obras em casa – e outra parte nos pubs.
Dividendos financeiros Conforme o poder público de Dublin, o título, além de confirmar uma verdade histórica (no qual a própria biblioteca pública tem parte), impulsionará atividades turísticas ligadas ao aspecto cultural. “Vamos fortalecer relações com nossos parceiros para atrairmos ainda mais turistas à nossa cidade, pois este é um momento histórico para Dublin e devemos apreciá-lo com sabedoria e cheios de honra”, manifestou ao site da Unesco a responsável pelo comitê de Artes, Cultura, Lazer e Assuntos ligados à Juventude da prefeitura, Julia Carmichael.
Linha do tempo Na abertura deste artigo, fazendo uma analogia ao “nosso” futebol, frisei a seleta gama de escribas dublinenses. Contudo, este fenômeno está mais do que justificado pela história local. O ponta-pé inicial foi dado ainda no século 8 (isso mesmo!) com a criação do “Book of Kells”. Em 1592 surgia o Trinity College. Pouco mais de meio século depois nascia Jonathan Swift, contemporâneo da fundação da Biblioteca March, no raiar de 1700. Em meados do século 19, o mundo passou a conhecer Bram Stocker (o autor que deu vida a Drácula), Oscar Wilde e James Joyce. Com eles, explodiram as artes – teatros e galerias até hoje espalhadas na cidade, que ainda viu desabrochar George Bernard Shaw no século 20 e outros tantos. Em suma: nada acontece por acaso.
Você sabia? Boa visão Na Escócia testes de visão são gratuitos para todos os cidadãos.
Crianças trabalhando No Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte) crianças com menos de 14 anos podem trabalhar apenas nas seguintes áreas: modelagem, esporte e agricultura.
Atrasadinhos sem vez Na Inglaterra o empregado pode ser demitido por justa causa se chegar ao trabalho atrasado por duas vezes. Para que isso ocorra, porém, o empregador deve notificar o trabalhador já no primeiro descumprimento de horário.
Dentes para todos (os desempregados) Também no Reino Unido você receberá tratamento dental gratuito e não precisará pagar por prescrições médicas desde que esteja desempregado e recebendo o “subsídio de desemprego”.
Segurando a hipoteca Na Inglaterra o proprietário deve fazer o seguro de sua propriedade contra incêndio e outros danos se a aquisição foi feita por hipoteca.
Grande Eleonir Mesmo distante, também fui abalado pelo falecimento do querido amigo Dr. Eleonir José Golin esta semana. De fala mansa, enorme coração e genuinamente original, Golin deixou sua marca na medicina, na política e, especialmente, entre aqueles que lhe eram mais próximos. Erechim perde um grande colaborador, que mesmo desgostoso com certas atitudes de pessoas de seu eterno partido, o PMDB, vinha trabalhando para construir uma cidade melhor. Força Dolores. Descanse em paz, Dr.